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Tuesday, February 2

Conversas #16

No Starbucks hoje de manhã ( com uma fila enorme até à porta)

Eu: Um chá verde por favor.
(a preparar-me para pagar)

Empregado: Não tens que pagar. Alguém já pagou por ti.

Eu: (com cara de parva e a começar a ficar vermelha) Ah ok. Obrigada.

Claro que fiquei a olhar para todos os lados para ver quem tinha cara de culpado, mas a alminha que pagou disfarçou bem, porque estou até agora a tentar adivinhar quem o fez. Venham mais manhãs destas.



Thursday, March 5

Conversas #11

Em conversa com amigo americano.

Eu: Tenho mesmo de começar a fazer sopa. Lembrando-me que nunca o vi a comer sopa. Tu não és muito adepto de comer sopa, pois não?
Ele: Estas a gozar? Eu adoro sopa. Como várias vezes por semana.
Eu: Ai sim? Como nunca te vi a comer...
Ele: Entao adoro chicken noodles, sopa de tomate, ramen noodles...
Eu: Ah estás a falar dessas...

Para terem uma ideia foram estas as sopas que ele mencionou




A publicidade que passa aqui na TV, só para terem ideia de como tentam vender o produto.


Tudo sopas enlatadas, pobres em valor nutricional, carregadas de sódio e açúcar. Uma bomba! Por isso achei que nunca o vi a comer sopa, pois estava-me a referir a sopas caseiras, cozinhadas de forma saudável. Isso para mim é que é sopa! Quando era Au Pair, a família tinha a dispensa carregada destas sopas, e era isso que davam às crianças, pensando estar a fazer um grande contributo à saúde dos filhos "Diana não te esqueças de aquecer a sopa para o jantar e vê se eles comem tudo. É a única forma de eles ingerirem vegetais". Tantas vezes ouvi estas palavras!

Eu também chegava a comer. Quando se vive em casa de alguém é difícil manter os nossos hábitos alimentares e acabamos por nos sujeitar um pouco. Foi por isso que nesse ano de intercambio engordei 8kg (podem ver aqui a minha historia e como  perdi esses quilos). Mas eu sabia que aquilo fazia mal, o que para mim é inacreditável é a maioria dos americanos pensar que estas latas realmente têm sopa no seu interior. E pensam que estão a fazer algo benéfico à saúde. É assustador!

Eu cresci a comer sopa caseira feita pela minha mãe e avó ao almoço e jantar. Para mim a refeição não estava completa sem um prato de sopa. Desde que vivo sozinha, por vezes torna-se difícil cozinhar (ok, e a preguiça também ataca), mas tenho me comprometido a comer sopa pelo menos ao jantar. Tenho procurado fazer sopas saudáveis, sem batata, muitos legumes,  sempre com gengibre e sem leite ou natas, que aqui se usa muito! Posso-vos dizer que a casa de banho nunca teve tantas visitas.

Friday, September 12

Conversas #9

É incrível que assim que digo que não como carne todos se transformam em nutricionistas e se preocupam logo com a minha ingestão de proteína. 

Outros ainda vão mais longe com aquela pergunta que não lembra a ninguém (a sério combinaram todos para perguntar o mesmo?): Se ficasses presa numa ilha, só tu e uma vaca e sem mais nada para comer. O que é que farias? Isto é algo que nunca entendi muito bem. As chances de ficar presa numa ilha deserta com uma vaca são assim para lá de remotas. Para além disso, quando me fazem perguntas de génio deste tipo, nada de bom pode advir daqui. (Se estivesse entre a vida e a morte, teria eu outra solução para além de ter que comer a vaca?)

Assim sendo, como não há uma boa solução para essa situação, normalmente respondo: É uma boa pergunta, mas terei de pensar no assunto, uma vez que nunca tive numa situação assim antes. E pronto, desarma-se a pessoa e ela fica olhar para nós com aquele sorriso amarelo de agora é que já me lixaste. 


Saturday, February 15

Conversas

Eu: Agora que já te introduzi ao sushi está na altura de irmos a um restaurante mexicano.
Ele: humm ( já a torcer o nariz).
Eu: Vais adorar nachos e  guacamole.
Ele: Guacamole?? Oh, mas tu sabes que eu não gosto nada de beber álcool.

E pronto é assim que eu percebo que lá lhe terei que abrir os horizontes em termos culinários, que isto está pior do que pensei. 


Wednesday, January 15

Conversas


Ele: Podes muito bem ser a tal...
Ela: A tal quê?
Ele: Não posso dizer.
Ela: Dizzzz
Ele: A mulher da minha vida. Não te devia dizer estas coisas.
Ela: Sabes que vais ter de dizer mais vezes.
Ele: Mais do que dizer vou mostrar ao longo do tempo. Isso é o que pretendo para a nossa relação, que para além de forte, seja uma conquista diária. Um sentimento que nasceu rápido não se vai esgotar lentamente, mas sim construir-se eternamente.

Adoro um amor assim.

Wednesday, December 18

Conversas - Até que a morte os separe

Em conversa com um amigo
 
Eu: Então como foi a despedida de solteiro do teu amigo?
Ele: Acho que um funeral tinha mais animação que aquilo. Estávamos todos sentados a olhar uns para os outros sem saber o que dizer.
Eu: Então não meteu mulheres nuas e tal?
Ele: Estás doida? Com a noiva lá foi só jantar e viemos embora.
Eu: Pera ai. A noiva estava na despedida de solteiro do noivo?
Ele: Claro. Ela não confia nele e sabia que ia dar para o torto se ele saísse só com amigos.
 
Bem, não  querendo ser má língua, mas já sendo. Se antes do casamento já há essa falta de confiança, seria por bem nem sequer casar e ir cada um para o seu lado. Poupavam muito dinheirinho gasto na boda e umas boas dores de cabeça. Não consigo entender como é possível existir casais que sabem que o parceiro as pode trair a qualquer altura e mesmo assim decidem casar.
 
 
 
 

Aquela pressão

 
Sabem aquela pressão que os familiares e até os amigos mais chegados gostam de incutir em nós, porque dizem eles se preocupar connosco? Pois bem, eu desde que cheguei a Portugal ando a sofrer desse mal.  De uma forma carinhosa e subtil lá vão dizendo que está na hora de ter filhos e casar. Porque na idade deles (tenho 26 anos) já se encontravam casados e bem casados com um ou dois filhos no regaço. Eu acho isso tudo muito lindo e tal, mas será que já pararam para pensar que é a minha vida que está em causa. Minha. E como tal, acho que me cabe a mim decidir com quem casar e quando ter filhos. E sinceramente não está nos meus planos. O que não quer dizer que daqui a uns meses  não mude de opinião. Como boa geminiana, mudar de ideias é comigo. Mas, agora não é isso que me tira o sono.

Numa conversa com a minha mãe há uns dias atrás diz-me " por este andar não vou ter netos". Eu preferi ignorar, porque sei que acabaríamos por discutir. Eu entendo que ela queira ter netinhos, mas gostaria também que entendesse que quem decidi isso sou eu.

Claro está, que o facto de a maioria dos meus amigos já estarem casados e alguns deles com filhos também não ajuda. Sempre que dou a desculpa que ainda sou muito nova, atiram-me logo a cara que fulana tal tem a mesma idade e já é mãe. Esta cobrança incessante deixa-me com os nervos a flor da pele. Se a mulher está solteira perguntam quando vai arranjar um namorado. Se está casada, perguntam quando vão ter o primeiro filho. O filho acabou de nascer e já estão a perguntar quando vai ter o próximo. E dizem eles que fazem isto tudo com as "melhores das intenções".

Por enquanto estou bem assim no papel de apenas filha.







Friday, November 29

Conversas

Em conversa com um colega de escola que já não falava há uns bons 7/8 anos.

Ele : Txii tanto tempo! Vi que estas a morar fora. Estás a estudar né?
Eu: Sim. Aí estava difícil e decidi arriscar. Mas tenho saudades de Portugal. Já não vou aí há dois anos.
Ele: É normal. Isto aqui está mal mas é o nosso país, o nosso cantinho. Mas se estás bem é o que interessa.
Eu: Ainda moras em Valbom? ( a terra onde vivi até vir para NY)
Ele: Claro que sim! Não deixo a minha terra por nada. Estive em França, mas Portugal é Portugal. Regressei logo.
Eu: Não deu certo em França?
Ele: Não. As saudades foram imensas. E meti na cabeça que o dinheiro não é tudo. Prefiro ganhar 500€ e estar perto de quem mais amo.

Esta conversa fez-me pensar se não tenho sido uma valente de uma egoista ao ter deixado tudo e todos por causa de um sonho. Sinto que estou a perder momentos que nunca mais os irei recuperar. Será que vale a pena as saudades que me dilaceram o peito, a cada dia que passa de uma forma violenta. Deixei tudo para tras como se de nada se tratasse e tenho medo de voltar,  e encontrar nada.