Monday, December 29

Noticias directamente de New York

Entre chegar à nova casa, desfazer as malas, ir ás compras e matar saudades, finalmente tive tempo para vir aqui. Nem parece que a última vez que estive em NY foi há seis meses, sinto-me como se nunca tivesse ido embora. Agradeço a todas as mensagens de carinho que me deixaram nas várias redes sociais, as vossas palavras aquecem-me o coração e fico muito feliz por saber que estão desse lado a apoiar-me. Muito obrigada!

Quis a TAP compensar-me pelo transtorno de ter que alterar o meu voo e colocou-me em executiva, mas só o voo do Porto para Lisboa, ou seja a diferença reside praticamente no facto de se ter uma cortina a dividir a classe executiva da turística, sumo de laranja, agua e jornais. Ou seja nada de especial. Tivessem eles feito o upgrade na viagem Lisboa-Nova Iorque e evitava a dor de rabo e de pescoço que ainda sinto. Isso sim era de louvar.

A viagem correu bem, até tive como companhia a Cristina Ferreira, que mesmo sem maquilhagem a mulher continua super gira. Acho-a como o vinho do Porto, tem vindo a melhorar a cada ano que passa. E deixem que vos diga que a moça tem uma paciência de santo, em plena fila para o embarque as pessoas não paravam para pedir autógrafos e tirar fotos. 
A comida mais uma vez foi uma valente porcaria, não estivesse a morrer de fome e ia tudo direitinho para trás. A sério questiono-me quem são os cérebros geniais que preparam os menus. Desta vez havia opção de carne e peixe, como é óbvio fui para o peixe que tinha a acompanhar uma espécie de batata cozida, num molho assim para o manhoso. E a salada meus amigos? Era pura e simplesmente MAIS batata, desta vez fria com molho também ele duvidoso. E para não bastar, vai dai e colocam uma espécie de cubos de carne de peru frio.Carne FRIA! Foi a ultima vez na TAP, disso tenho a certeza, a não ser que não tenha outra opção. A qualidade tem vinda a decair ano após ano, e se antes uma pessoa escolhia viajar pela TAP, por ser uma companhia portuguesa dando valor ao que é nacional, depois da privatização isso já não faz sentido algum.



Acho que a única coisa que está realmente bem concebida é o video de segurança. Está extremamente original e nunca me canso de o ver. 



No entanto, nada disto me tira o prazer de viajar. Há quem fique cheio de medo, eu dou saltinhos de alegria sempre que tenho uma viagem de avião pela frente. Se pudesse vivia em aeroportos, tipo o Tom Hanks no filme Terminal de Aeroporto. Normalmente viajo sempre sozinha e apesar de gostar de ir no lado da janela, escolho sempre o lugar do corredor, porque os litros de água que bebo aliados a pequena bexiga com que fui abençoada fazem com que esteja sempre a correr para a casa de banho. 

Como viajei para Newark, o avião vinha cheio de portugueses e gosto especialmente daqueles que falam em inglês com as hospedeiras e entre eles falam em portugueses, só para dar aquele ar de pessoas internacionalizadas. 

Desta vez, tive bastante dores de ouvidos principalmente na aterragem. Parecia que a qualquer momento iam rebentar. Já estava um pouco constipada antes de viajar e li depois, que quando se viaja com o nariz congestionado, há uma grande probabilidade disto acontecer. O que me está a assustar um pouco é o facto de ainda agora, três dias passados depois da viagem ainda sinta os ouvidos entupidos. Já aconteceu isso alguém? 

E quase 15 horas depois aterrei em NY. Corri o mais depressa possível para fora do aeroporto. Estava frio, nem sentia as mãos, mas não consegui parar de sorrir ao mesmo tempo que agradecia mais uma vez a oportunidade que me foi dada. Estou muito feliz por este capitulo que inicio e tenho a certeza que 2015  vai ser um ano de muita alegria. Tal como o  Gustavo Santos  diz A vida é bela. Oh se é!

Até dos piropos já tinha saudades, vejam lá. Que me desculpem os portugueses, mas os americanos são muito mais à frente! É que ir logo pela manha ao Starbucks, sem maquilhagem, com cara de sono e ouvir um Good morning gorgeous anima qualquer mulher.


Vou-vos tentar manter ao corrente de tudo, porque eu sei que estão ansiosos para saber novidades :)

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Friday, December 26

De partida mais uma vez

Sentada no banco do aeroporto, espero pelo voo que me levaos EUA. Desde sempre soube que algum dia iria deixar Portugal, não sabia quando nem quais as circunstâncias, mas tinha a certeza que um dia iria "abandonar" o meu país. Coloco entre parêntesis a a palavra abandonar, porque na realidade não sinto que esteja a deixar algo para trás, como muitos na mesma situação talvez o sintam. Sempre sonhei em viver nos EUA ( não necessariamente em NY), sabia de cor todos os estados, imaginava-me a viver naquele país, muito antes de ter oportunidade de lá viver. Tal como a frase de cabeçalho do blog "Um dia é preciso deixar de sonhar, e de algum modo, partir", sabia que um dia iria tornar  esse sonho em realidade. Não sou patriota, de todo. Nunca o fui! O país em que nascemos, não quer de todo dizer que é onde tenhamos que nos sentir bem. No meu caso nunca o foi. Lá diz a máxima "Home is where your heart is". Gosto do Porto, cidade onde nasci e vivi até aos 23 anos, altura em que fui pela primeira vez para NY, mas não tenho quase vinculo nenhum,  não é em Portugal que quero fazer a minha vida ou que quero envelhecer. Muitos ficam surpreendidos, mas outros, aqueles que também estão na mesma situação, não imaginam voltar a Portugal a não ser de férias. Como me disse um senhor que conheci que emigrou há mais de 40 anos para os EUA "há qualquer coisa neste país, que nos faz querer ficar e nem nos passa pela cabeça um dia voltar". E é mesmo isso, há algo inexplicável neste país, que nos puxa, que nos atrai e que torna todos os outros lugares medíocres. Quem emigra para os EUA, não tem como objectivo juntar dinheiro para um dia voltar para Portugal, como acontece com muitos emigrantes que vão para França, Suiça, Luxemburgo. Quem emigra para os EUA é para sempre, tornam o país em que nasceram apenas num local para passar férias e em muitos casos nem isso. 

Por vezes, ponho-me a pensar se serei emigrante. Talvez porque a imagem que tenho dos emigrantes é aquela em que iam a "monte" para França, com uma mão à frente e outra atrás, o marido ia primeiro para apalpar terreno e mais tarde os filhos e mulher juntavam-se a ele. Chegava a Agosto e  faziam horas a fio de carro, para puderem visitar os familiares em Portugal e dançarem nos bailaricos de verão. Na volta levavam a bagagem cheia de chouriços, bacalhau e vinho, com o intuito de aquecer o coração nos dias em que a saudade mais apertasse. 

Mas quando penso melhor talvez seja mesmo emigrante, há três anos decidi deixar a minha casa, o meu país e parti em busca da realização dos meus sonhos. A minha carta de condução agora é americana e o meu bilhete de identidade está agora guardado numa gaveta, o português deu lugar ao inglês. Em Nova Iorque sou a portuguesa e em Portugal sou a americana. As longas viagens de carro, agora são substituídas por viagens de avião.  Já não nos interessa os bailaricos, mas a ansiedade de ver as pessoas que gostamos é a mesma. Se calhar sou mesmo emigrante porque também eu fui à procura de algo melhor, algo que o meu país nunca ofereceu, mas também nunca fiz intenção de procurar, porque nunca quis aqui ficar. Parti à aventura, sem saber o que me esperava, mas com a certeza que seria melhor do que o que já tinha. E não me enganei. Fiz dos EUA a minha casa e Portugal apenas o pais de visita. Não me arrependo de todo, se pudesse apenas teria ido mais cedo. Dizem-me que tenho coragem e admiram a minha força de vontade, chegam mesmo a dizer que gostavam de ser como eu e conseguir largar tudo em busca de uma vida melhor. Não considero que tenha "largado tudo", pois foi apenas quando sai do meu país que consegui ter tudo o que sempre quis e sentir-me realizada.
Admiro quem fica e decide remar contra a maré, mas não era isso que me estava destinado. Penso que nunca foi.

É claro que a minha decisão tem consequências, que em dias de maior saudade a questiono. Quando partimos, parece que fica um buraco no tempo e quando regressamos esperamos que tudo esteja do mesmo modo. Mas não está. Amigos passam a conhecidos e conhecidos passam a estranhos. Das-te conta que há pessoas que te querem mal, que  te invejam, porque também elas queriam ter a coragem de mudar, mas é sempre mais fácil ficar na zona de conforto e torcer para que os outros não tenham sucesso. Parece-te que essa mudança foi muito rápida, mas na verdade levou meses, anos. Tu é que não estiveste lá para acompanhar. Deixas de ver as crianças a crescer, não podes estar presente no funeral das pessoas que te são queridas, nem nos momentos mais importantes. Todos continuam com as suas vidas e tu esperas tapar esse "buraco" quando regressas, esperas compensar a tua ausência, mas por vezes é tarde de mais. Mas, tu sabes que é o preço a pagar  e que a vida é mesmo assim. E apesar de tudo és uma pessoa feliz. 

Thursday, December 25

Situação da pessoa prestes a ir para o outro lado do oceano

Bem apertadinho e com a ajuda da mãe lá consegui enfiar tudo em duas malas, ainda falta a de cabine e a mala pessoal (vulgo carteira), que como nunca é pesada dá sempre para pôr mais umas coisas. 
Na minha inocência, pensei eu que seria uma mala para a roupa de Inverno e outra para a de Verão. Ah, enganei-me redondamente, nestas duas malas de 23kg cada só vai mesmo a roupa para os dias frios(e que frio se faz sentir por lá!) e umas quantas peças de verão. Raios partam os casacos de inverno que ocupam imenso espaço!
Já vou ter que cravar aos pais quando forem lá visitar-me! 

Pronto, agora que está quase tudo pronto, digo quase porque há sempre alguma coisa que me esqueço e que tento enfiar a todo o custo à ultima da hora, vou agora a casa da avó almoçar. 

Resumo de ontem à noite: comi como se não houvesse amanha, o pior é que houve e tenho para mim que engordei uns 10kg. Posso ser uma morsa, mas sou uma morsa feliz! 

Feliz Natal minha gente linda :)