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Friday, November 28

Boa, Manzarra!


Se eu já gostava dele, agora tenho ainda mais respeito e admiração. O João Manzarra deixou de comer carne depois de assistir a um documentário (tal e qual como eu, podem ler a minha história aqui.) e decidiu partilhar na sua pagina no Facebook.
Só alguém sem sentimentos  é que consegue retomar à sua vidinha, sem fazer qualquer tipo de alteração. E não me venham dizer "ah e por isso que eu não quero ver", "ai coitadinhos dos animais é por isso que evito ver essas coisas". Não é por pena que evitam, mas sim por serem egoístas, pois pensam primeiro no bem estar e no bife "suculento" que vão ter para o jantar, e  também por pensarem que se não virem é como se o problema não existisse. Pensem se não é bom para os nossos olhos, como pode ser bom para o nosso estômago? Isto para as pessoas que dizem gostar de animais, porque como é óbvio não podemos gostar todos do mesmo, mas mesmo para aquelas que tanto se lhes dá para o que acontece com os animais,  seria bom darem uma vista de olhos a estes documentários, porque para além de ser uma questão de ética é também uma questão  de saúde e sustentabilidade do nosso planeta.

Como o próprio Manzarra admitiu mais de 60% da alimentação era derivada de proteína animal e agora até lhe dá nojo pensar em carne. Para todos aqueles que tem vontade de o fazer, mas sentem-se sem motivação ou força para dar o primeiro passo. Ponham os olhos nele, se ele conseguiu, vocês também vão conseguir.  Um passo de cada vez.

Tem todo o meu respeito em usar o facto de ser uma figura publica para chamar a atenção para um tema tão urgente! Marry me :)

Para mais documentários sobre o tema podem ver aqui

Friday, November 14

Tuesday, September 30

O que eu como num dia

Recebo emails a perguntar o que como, qual o plano alimentar que sigo, quais os alimentos que evito comer e desta forma decidi fazer um post onde mostro o que normalmente como. Não conto calorias, não tenho paciência para isso, nem sequer me peso regularmente. Alimento-me de forma saudável e para mim isso basta. Em tempos costumava registar tudo que ingerir através de uma aplicação e posso-vos dizer que foi horrível, por vezes esquecia-me de registar ou não me dava jeito na altura de o fazer e parecia que vivia em função daquilo. Em vez de estar a ter prazer naquilo que comia, estava apenas a pensar se iria ultrapassar as calorias diárias que deveria ingerir. Deixem-me disso. E ainda bem que o fiz, porque agora tiro completamente prazer de tudo aquilo que como.

Para os mais curiosos peso 55 kg e meço 1.62 cm (é o que está no cartão do cidadão, mas eu acho que sou um pouquinho mais alta). Não quero emagrecer. O meu principal objectivo é manter o peso de forma saudável. E quando digo de forma saudável refiro-me a não seguir dietas malucas. Dieta low carb, zero carb, dieta das 500 calorias, da gelatina ( sim, já me perguntaram se eu era adepta), do ovo, da lua, da papa de bebé, dos cubos de gelo, do piriquito (pesquisem, elas existem mesmo)! A sério minha gente, deixem-se disso. Em geral, as pessoas têm pressa e querem emagrecer para ontem. É perfeitamente normal que se perca peso com estes regimes, mais não seja, porque se está a passar fome. Mas, quando se olha na balança e se vê o peso a diminuir, o que ocorre é uma perda de massa muscular e não de gordura, ou seja depois de terminada a dieta esse peso vai reaparecer e em muitos casos, a dobrar! Por isso tem o nome de dieta e tem um período de tempo estipulado, porque ninguém consegue levar esse estilo de vida para sempre.

E é por isso que não acredito em dietas, mas sim numa reeducação alimentar, em que consiste em verificar os erros que cometemos e tentar corrigi-los de maneira a não prejudicar a nossa saúde, tornando-se num habito para toda a vida. O nosso corpo precisa de nutrientes importantes, que com dietas restritivas, nos são retirados.

Desta forma, torna-se importantíssimo ler os rótulos de tudo aquilo que ingerimos. Mais do que focar nas calorias, devemos ler os ingredientes e saber interpreta-los. Confesso, que pouco me preocupo com as calorias, porque um alimento pode ser baixo em calorias, mas repleto de químicos, açucares e gorduras trans. E só por olhar para as calorias essa informação não é passada. Alimentos que dizem ser light (barras de cereais, iogurtes, gelatinas) , retiram o açúcar, mas colocam algo muito pior para a nossa saúde: aspartame! Podem ver aqui um post que fiz sobre os malefícios deste e de outros adoçantes. Para alem disso, 98% dos cereais que se dizem integrais tem nos seus ingredientes açúcar! Falsa publicidade! Calorias vazias logo para começar o dia!

E foi através da reeducação alimentar que comecei a ter em atenção todos estes aspectos. No inicio do ano deixei de comer carne e como peixe apenas quando a refeição é feita fora de casa e as opções são escassas (estou a tratar de cortar por completo), não bebo leite animal há imensos anos (podem ver aqui os benéficos do leite vegetal  e aquilo que ninguém nos conta sobre o leite animal ), mas ainda consumo iogurtes e queijo. Troquei o arroz pela versão integral e a batata pela batata doce (muito mais saborosa na minha opinião). Tento ter uma alimentação o mais proveniente da terra possível, muitos legumes e muita fruta. Esqueçam lá o mito de que a fruta engorda! O que engorda é a comida processada, (o mito do açúcar da fruta explicado aqui). Eu como imensa fruta durante o dia, para não falar que começo o dia uma um enorme batido de frutas e vegetais! Foi quando parei de olhar apenas para as calorias e a dar preferência por tudo o que fosse natural, que a minha saúde melhorou e consequentemente consegui chegar ao peso pretendido. Ainda existem algumas alterações que quero fazer, como por exemplo cortar completamente com os derivados de animal, mas sei que tem que ser aos poucos. Para aqueles preocupados com a ingestão de proteína, fiz um post há algum tempo atrás onde falo das fontes de proteína vegetal. Existe uma fixação pela ingestão de proteína, que muita gente acaba por ingerir mais do que deve, acabando por ser prejudicial. Não caiam no exagero!

Para terminar deixo-vos com exemplos das minhas refeições:

Pequeno almoço

Em jejum: agua morna com sumo de limão
Antes do pequeno almoço solido, bebo sempre um sumo ou batido de fruta e vegetais. 

Batido de melão, espinafres, laranja, leite de amêndoas 
Batido de papaia, banana e leite de amêndoas
Sumo de papaia, laranja e sementes de goji
Enquanto bebo o batido vou preparando o pequeno almoço. Normalmente alterno entre uma panqueca de aveia ou polvilho doce e papas de aveia. Sempre a acompanhar com fruta, sementes e muita canela. 

Iogurte grego, framboesa, mistura de sementes e chia 
Panqueca de aveia, leite de amêndoas, frutos vermelhos, requeijão e canela
Aveia com leite de amendoas, maracujá, banana e goji
Aveia com leite de amêndoas, canela, chia, sementes de abóbora e figos. 
Batido de banana, abacate, espinafre, maçã, pepino, abacaxi e leite de amêndoas

Almoço/ Jantar
Cuscus com caril, legumes e tâmaras 
Quinoa, hambúrguer vegetariano e salada
Salada de espinafres e legumes
Quinoa com tofu grelhado e vegetais 
Salada de quinoa com pimento, cenoura, pepino e amêndoas 
Massa integral com cogumelos e amêndoas
Snacks 
Metade de uma batata doce, queijo cottage e canela ( pré treino)
Iogurte grego, gérmen de trigo e goji 
Papaia on the road 
Papaia com iogurte grego, chia e nozes
O que não pode faltar em casa. Muita fruta e vegetais!

Resultado da minha reeducação alimentar conjugada com exercício físico




E vocês o que comem? Contem-me como é o vosso dia :)



Friday, September 12

Conversas #9

É incrível que assim que digo que não como carne todos se transformam em nutricionistas e se preocupam logo com a minha ingestão de proteína. 

Outros ainda vão mais longe com aquela pergunta que não lembra a ninguém (a sério combinaram todos para perguntar o mesmo?): Se ficasses presa numa ilha, só tu e uma vaca e sem mais nada para comer. O que é que farias? Isto é algo que nunca entendi muito bem. As chances de ficar presa numa ilha deserta com uma vaca são assim para lá de remotas. Para além disso, quando me fazem perguntas de génio deste tipo, nada de bom pode advir daqui. (Se estivesse entre a vida e a morte, teria eu outra solução para além de ter que comer a vaca?)

Assim sendo, como não há uma boa solução para essa situação, normalmente respondo: É uma boa pergunta, mas terei de pensar no assunto, uma vez que nunca tive numa situação assim antes. E pronto, desarma-se a pessoa e ela fica olhar para nós com aquele sorriso amarelo de agora é que já me lixaste. 


Wednesday, February 5

Porque me tornei vegetariana




Antes de explicar o porquê da minha opção é importante referir que existem diferentes tipos de vegetarianos, temos:

Os veganos, que excluem todos os alimentos e ingredientes de origem animal da sua dieta, desde carne, peixe, ovos, leite, derivados deste e mel. Os veganos recusam também o uso de qualquer tecido animal no seu vestuario ou como acessório - qualquer tipo de pêlo, lã ou seda, ou uso de produtos testados em animais. 

Ovo-lacto-vegetarianos, excluem carne e peixe mas consomem ovos, leite e produtos derivados, assim como mel. 

Ovo-vegetarianos, excluem todos os produtos animais da sua dieta, excepto os ovos e seus derivados.

Para quem já lê o blog há algum tempo e para quem me conhece pessoalmente sabe que sou defensora dos animais. Os animais são os seres mais puros que existem, muito superiores a raça humana. Com dizia Gandhi é pela forma como são tratados os animais que se vê o carácter de uma nação. 

Cresci sempre rodeada de animais, a minha família sempre me ensinou a respeita-los. Sempre tive gatos e cães. Lembro-me quando era mais nova trazer cães que encontrava na rua repletos de pulgas e carraças, e juntamente com a minha mãe dar-lhes banho. Muitos deles acabavam por ficar connosco, outros tínhamos que os deixar ir, mas pelo menos sentiam-se um pouco melhores.

No entanto, apesar de ser uma defensora dos animais sempre comi carne. Quando tinha uns 13/14 anos disse à minha mãe que queria ser vegetariana e por alguns meses ainda o consegui ser, mas era muito difícil pois a minha mãe tinha que fazer uma comida para mim e outra diferente para o meu pai. Na altura, a informação que havia não era como a que se encontra hoje. Ou seja, voltei a comer carne. 

Quando fui viver para os EUA, pela primeira vez tive liberdade para comer e cozinhar o que quisesse. Em NY existe variadíssimas opções para quem é ou quer ser vegetariano. Nos últimos dois anos pouca carne comi, embora nunca tivesse desistido por completo. Passava quatro semanas sem comer e depois lá voltava a comer carne, ficava muito frustrada comigo própria por ser fraca ao ponto de não conseguir resistir. Nesta altura, comecei a ler bastante e cheguei a conclusão que um dos grandes mitos é pensar que abolindo a carne não ingerimos proteína suficiente. Não poderia estar mais errada. É sim possível a ingestão de proteína através de legumes, lentilhas, feijão, sementes de chia, spirulina, etc. (Deixarei este tema para outro post). 

Apesar de defender todos os animais, agora que olho para trás posso dizer que era muito ingénua. Eu sabia que para nos satisfazer os animais eram mortos, mas foi só até há  pouco tempo que tive realmente a noção do quanto eles sofrem. E foi aí que decidi que me iria tornar vegetariana. Basta procurar no youtube que vão encontrar videos que mostram o verdadeiro terror que os animais passam no matadouro. 

Por exemplo, sabiam que para a carne de porco ficar mais tenra os porcos são lançados em água a ferver vivos? Dizem que adrenalina e o medo faz com que a carne fique mais saborosa. Um vaca que produz leite não é a mesma que dá carne. Uma vaca chega a produzir 300% mais leite do que é normal produzir, tem ventosas a sugar o leite sem parar durante meses e são confinadas a espaços minúsculos, sem o mínimo de condições. E quando já não dão para mais nada são mortas.  São dadas injecções para que certas partes do corpo do animal cresçam mais rapidamente. Por exemplo, como o peito de frango é o mais procurado, são criados frangos com o peito extremamente desproporcional. Como esse crescimento é feito em poucas semanas os seus ossos partem e estas galinhas não são capazes de se colocar em pé ou caminhar. São sujeitas a serem calcadas e pontapeadas pelos criadores. 




Tudo isto e muito mais é possível de ver neste documentário Food, Inc. Enquanto assistia as lágrimas caiam-me pela cara e pensei: a nossa vida vale mais que a deles? Claro que não! Que ser humano sou eu que depois de saber isto ainda continuo a comer carne?

Existe muita hipocrisia de amarmos os nossos animais de estimação e desprezarmos os demais, porque como já me disseram muitas vezes " as vacas e os porcos são para ser comidos, pois é assim a nossa cultura". Desta forma, toda a minha vida fui hipócrita ao ponto de cuidar e defender certos animais e comer outros. Quando parei para pensar, cheguei à conclusão que não fazia sentido e que teria que mudar. Aliás, depois de estar consciente do terror que estes animais passam, deixei de me interessar completamente por comer carne. Mudei da noite para o dia e nunca me senti tão bem comigo própria como me sinto agora, para além da minha saúde ter melhorado muito depois de ter eliminado a carne da minha alimentação.



É uma questão ainda um pouco difícil de digerir para alguns membros da minha família, que arranjam os mais diversos argumentos para convencer-me do quanto é bom comer carne, como se eu fizesse algo de errado e que "vou acabar por ficar doente" (este argumento é muito bom mesmo!!!).

No início eu tentava explicar, até numa tentativa de influenciar outras pessoas, mas percebi que por vezes não adianta. No entanto, tenho recebido apoio de algumas pessoas que me são queridas e que fazem questão de cozinhar algo diferente ou garantem que o restaurante a que vamos tem opções para mim e que me lembraram constantemente o quão positivo este estilo de vida é. 

A minha próxima fase será deixar de consumir os produtos derivados de animais, como iogurtes, queijo, ovos e produtos testados em animais. A primeira fase foi fácil e sei que esta será um pouco complicada, porém possível de alcançar. Quem disse que um bolo sem ovos nao é saboroso? Manter o foco e tudo é possível. 


A nossa cultura está muito sedimentada e ser vegetariano ainda é visto como algo contra-natura, pois "estes" animais foram feitos para serem comidos. O nosso paladar, o que comemos, a forma como temperamos está vinculada na nossa tradição e questionar esses "mandamentos" é quase como cometer uma heresia.  Acreditando na máxima que diz que está nos nos genes consumir animais, prefiro antes pensar que existe uma alternativa que é o amor e não o sofrimento. Parece que certas pessoas me pedem a todo o momento que justifique a minha escolha, como se o aceitável fosse comer e eu estivesse a fugir a regra. A liberdade está na nossa cabeça e nas avaliações que fazemos antes de tomar uma decisão. E aqui entre nós, sinto uma enorme satisfação em sentir que me estou a libertar e o prazer de comer carne é algo muito egoísta perto deste sentimento. 


Se estiverem interessados ficam aqui alguns documentários que ajudam a tornar-se vegetariano (ou pelo menos consciencializar). 

Food Inc
Food Matters
Vegucated