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Thursday, June 18

Quando os portugueses se juntam por estes lados

Apesar do dia de Portugal ser festejado em Portugal no dia 10 Junho, por estes lados as celebrações começam muito antes e prolongam-se quase uma semana depois. Todos esperam ansiosamente por este dia, que é sinonimo de muita alegria, musica e comidinha da boa. 

Todas as comunidades festejam este dia, Newark é a comunidade mais próxima de onde vivo, e onde vou sempre que a saudade de comida portuguesa aperta. O facto de não ser uma comunidade muito grande (as maiores comunidades estão localizadas na Califórnia e Massachusetts) torna-a bastante pitoresca, tal e qual como uma pequena vila em Portugal.  

As pessoas são bastante simpáticas, metem conversa na rua sem nos conhecer de lado nenhum e se a conversa se prolongar por algum minutos e certo que já estão a perguntar se queremos jantar lá em casa. São humildes e bastante hospitaleiros. Não costumo ir muitas vezes a Newark, mas quando vou é sempre uma óptima experiência.


É óbvio que não podia deixar de celebrar este dia com tudo a que tenho direito. Andava com imensas saudades de comer sardinhas e por isso o meu almoço e jantar nesse dia (com muita sangria e caipirinha pelo meio) foram as belas das sardinha com broa. É que bem que me souberam. Mas o que tornou este dia inesquecível foi passá-lo na companhia dos amigos (tugas e não tugas) com muita gargalhada à mistura. 

As belas das sardinhas 
Sem querer demos de cara com o Saúl. Quem se lembra do "bacalhau quer alho"?




O policia que não resistiu a tirar uma foto connosco


Thursday, April 9

Sou Emigrante



               

Das palavras que podiam ser minhas. 


Sou emigrante há bem pouco tempo, e sou Maria Capaz desde o dia em que emigrei.
Tantas vezes me despedi. A emigração fez parte da minha infância, da minha adolescência e agora da minha vida adulta. Em criança tantas vez fui ao aeroporto, por vezes para surpreender, outras para ser surpreendida. Tenho flashes que aparecem na minha memória, de pessoas que reencontrei, dos meus tios, dos primos, até do cão da minha tia que tantas preocupações nos dava em cada vinda a Portugal. E depois vem o outro lado, o momento em que os levava, para voltarem para aquilo que era deles e que tanto suor lhes custava. Vi chorar, senti o choro na cara em cada beijo que recebia. Mas não entendia, não chorava, deixava um sorriso para eles, e talvez fosse isso que lhes desse a força de ir, para mais tarde voltar.
Há dois anos e quatro meses que me despeço. Eu parto, os outros ficam. Ou então são os outros que partem e eu que fico. Não sei dizer o que é melhor, não sei se algum dia vai ser melhor. Se algum dia aceitarei o facto de que tenho de partir, que tenho de me despedir. Mesmo que a despedida seja breve, que o próximo reencontro já esteja marcado, no momento de dar o último beijo, o último abraço, não há facto que alivie a partida. E choro, e sinto chorarem. E agora entendo porque choravam, e agora entendo a força que um sorriso inocente pode dar.
Não sei dizer qual a pior, qual a que dói mais, se a primeira que aconteceu há dois anos e quatro meses, ou a que se deu há um dia atrás.
Sei que faz parte de mim a despedida, sei que a encaro e não fujo dela. E é a ela, que tanta dor me causa, que eu agradeço por fortalecer as minhas ligações, as minhas amizades e o meu amor pela família.
A ela agradeço por me tornar uma Maria Capaz.

Monday, April 6

Entrevista #16 Portugueses nos EUA


Em que cidade dos EUA vives?
Vivo em San Jose, na California.

Há quanto tempo vives nos EUA?
Estou aqui há 1 ano e 8 meses.

Como surgiu a ideia de viver nos EUA?
 Eu sempre tive curiosidade em visitar os EUA e ver o porquê de ser “a terra das oportunidades”. Após uns meses atribulados em Portugal, começou a surgir a ideia de querer mudar de vida e viver novas experiências, então decidi arriscar.

Qual a tua ocupação neste momento?
Sou Au-pair.

Onde vives existe mais portugueses?
Sim existe uma pequena comunidade de portugueses a 15 minutos de minha casa. Há também uma igreja, restaurante/mini-mercado e padaria com coisas típicas portuguesas.

Como lidas com a saudade? Do que sentes mais falta?
O Skype tem sido um grande amigo nestes meses para falar com a família e amigos. Tornei-me mais adepta as redes sociais, principalmente Facebook, para poder manter contacto e partilhar minhas experiências por aqui… Sinto muitas saudades da comida e de estar a 10 min da praia (aqui estou a 1h de carro), dar uma caminhada por lá e aproveitar a paisagem.

Quais as ideias pré concebidas que tinhas dos EUA e que mudaram assim que passaste a viver aqui? 
Tinha a ideia que as pessoas eram frias, só se preocupavam com trabalho e também a comida (fast-food). A imagem mudou muito, as pessoas gostam de ajudar, dizem bom-dia quando passam por nós. É verdade que há fast-food também, mas há opções saudáveis e para todos os gostos, aprendi a gostar de quase todos os tipos de comida…

É fácil fazer amizade? Foste bem recebida?
Fui muito bem recebida, desde os três dias que estive em Nova Iorque e depois aqui no bairro. Comecei por amizades com au-pairs que viviam perto de mim e depois quando iniciei o colégio a minha rede social aumentou.

Qual o ponto turístico favorito na tua cidade? 
San Jose nāo tem um ponto turístico especifico, mas a 1h daqui temos a tão conhecida cidade de São Francisco e a Golden Gate Bridge.
10.  Uma cultura muito rica e com mente aberta. Aceitam cada individuo como ele é, sem preconceitos, por exemplo, o facto de ir de pajama ao supermercado ou ao parque.  As diferenças culturais são um ponto muito forte, principalmente na Califórnia, aprendemos sempre um pouco mais sobre uma nova cultura.

O que é que os EUA têm e que faz falta em Portugal. E vice-versa. 
Na Califórnia deveria haver um sistema de transportes públicos diferente, com mais opções. Os bares poderiam estar abertos até mais tarde (ás 2h da manhã acabam a musica, acendem as luzes e mandam-nos embora). Em Portugal faz falta a mentalidade dos Americanos, ruas limpas e organizadas e, acima de tudo, a facilidade de acesso aos bens essenciais…

Quais os teus planos para o futuro? Pretendes viver para sempre nos EUA?
Ainda estou muito indecisa com o meu futuro. Neste momento estou para regressar a Portugal, pois o meu programa de au-pair esta a acabar. Contudo, espero conseguir voltar (nem que seja de visita), apesar de ser um pouco complicado devido aos vistos.

Agora que vais voltar a Portugal do que vais sentir mais saudade? 
Vou ter saudades de tudo… Desde o planeamento da próxima viagem a fazer, receber ordenado todas as semanas, do tempo da Califórnia, e passear pelo bairro e descobrir algo novo.

Qual o conselho que dás para quem tem o mesmo sonho de viver/emigrar para os EUA?
14.  Aproveitem bem o tempo para conhecer os pontos turísticos e novos lugares. Ir a um parque, deitar na relva e apreciar o tempo e o dia como se fosse o último. Arriscar e fazer coisas novas, algo que nunca pensaram em fazer, pois nos EUA tudo é possível!


 Facebook Headquarter (Menlo Park)
 Golden Gate, San Francisco
Google Complex
A minha primeiro RoadTrip: Hollyhood Sign, LA
Inverno no Lake Tahoe, CA
Passagem de Ano 2004/2005 em Las Vegas
Visita a Napa Valley, a terra dos vinhos
NASA Ames Research Center
Pumpkin Patch: escolher a abobora para o Halloween
Vista de San Jose, CA no topo da montanha
Stanford University (Palo Alto)
Tiburon, CA



Monday, March 2

Entrevista #15 Portugueses nos EUA


Entrevista com a Margarida que foi Au Pair em Washington DC.

Em que cidade e estado viveste?
Vivi de Junho a Janeiro em Philadelphia na Pensilvânia e de Janeiro a Junho em Washington DC.

Quando voltaste a Portugal?
Voltei a Portugal em Junho de 2014. 

Como surgiu a ideia de viver nos EUA?
Começou como uma brincadeira de querer mudar um pouco de vida. Tinha uma amiga brasileira em Nova Iorque, que me descreveu o programa e me incentivou para que eu fosse, só acreditei que estava a ir no dia que embarquei, até lá foi sempre irreal.

Qual a tua ocupação neste momento?
Neste momento sou auxiliar de acção educativa num colégio internacional na parte inglesa.

Onde vivias existiam mais portugueses?
Existiam alguns portugueses da minha terra (Quarteira) a viverem em Asburn, Virginia e depois mudou-se também a Catarina Araújo (Podem ver a entrevista da Catarina aqui)

Como lidaste com as saudades? Do que sentiste mais falta?
No inicio as saudades não custaram muito, mas depois ficou pior, principalmente na altura do Natal e do meu aniversário. Mas apoiem-me no sonho que tinha de vencer e aguentar um ano e acabou por passar bem. O Skype também ajudou imenso. Senti falta das nossas sopas e do churrasco... de resto até gostei bastante da comida saudável que a minha família de acolhimento fazia.

Quais as ideias pré-concebidas que tinhas dos EUA e que mudaram quando passaste a viver lá?
A ideia pré-concebida era apenas da comida e da variedade de etnias que lá viviam. A da comida fast food mudou, pois na minha família comia-se muito saudável, mas não mudei de ideia em relação ás etnias que lá vivem, pois existem imensas.

Foi fácil fazer amizades? Foste bem recebida?
Fui bem bem recebida e sou uma pessoa de fácil comunicação, então não foi difícil fazer amizades,se bem que existem sempre aquelas que não vingam, pois as pessoas não se identificam para criar laços de amizade.

Qual o ponto turístico favorito da tua cidade/estado?
De Washington foi sem duvida o National Mall. Na Philadelphia não tive oportunidade de conhecer muito, logo não tenho um sitio preferido.

Como descreves a cultura americana?
É uma cultura rica em ideias diferentes, são muito open minded. Não se incomodam por existir tantas pessoas diferentes. Adoro o facto de se puder ir ao 7 Eleven de pijama e ninguém te dizer nada. Não gosto do facto de acharem o nosso futebol chato, quando na minha opinião o futebol americano é mais.

O que é que os EUA têm e que em Portugal faz falta e vice versa?
Em Portugal deveria haver um sistema de transportes públicos como nos EUA. A facilidade de nos movimentar-mos de estado ou cidade é facilitada e menos dispendiosa do que em Portugal. Falta no Algarve um Starbucks ao virar da esquina e um Dunkin Donuts e ,claramente uma Michaels (loja de Art and Craft, sou viciada).

Quais os teus planos para o futuro? Pretendes voltar a viver nos EUA?
Os meus planos passam por visitar os EUA, sem duvida. No entanto, viver já não está nos meus planos, pois os vistos são complicados de se conseguir, mas se tivesse uns aninhos a menos com certeza que ficaria por lá como estudante e depois via o que a vida me reservava. Agora só mesmo de visita, mas as saudades são mesmo muitas!

Agora que estás em Portugal, do que sentes mais saudade?
Sinto saudades de tudo, até da neve e dos dias mais complicados, onde não se podia sair de casa, ou até da facilidade de puder encontrar as amigas ao fim de semana. O facto de se receber ordenado todas as semanas e planear a próxima viagem. Sinto saudade de andar sempre a passear nos corredores do Michaels e ver o que vou usar no Scrapbook ou simplesmente andar a passear pelas ruas de Washington a procura de lugares novos para visitar.

Qual o conselho que dás para quem tem o mesmo sonho de viver nos EUA?
Viver o sonho americano e aproveitar cada minuto como se fosse o último.  Sentir cada cheiro como se fosse algo novo. Saborear e deliciar-se por inteiro. 



Tuesday, February 10

Entrevista #14 Portugueses nos EUA


Em que cidade e estado dos EUA vives?
New York City

Há quanto tempo vives nos EUA?
Mudei-me em Julho de 2011 portanto 3 anos e 7 meses.

Como surgiu a ideia de viver nos EUA?
Depois de acabar a faculdade e arranjar o meu primeiro emprego no laboratório de uma adega de vinhos em Alenquer, apercebi-me que embora tivesse estudado Engenharia Alimentar, os meus conhecimentos não eram o suficiente para seguir uma carreira em enologia e dai decidi começar a viajar para outras regiões vinícolas à volta do mundo, seguindo a época de vindima e assim aprendendo a fazer vinho em diferentes climas/solos/castas etc. Como todos os jovens enólogos em inicio de carreira, sempre quis trabalhar em Napa Valley na Califórnia e depois de viajar e fazer duas épocas na Nova Zelândia, passando pela Áustria no meio acabei por conseguir arranjar um estágio em Napa Valley.

Qual a tua ocupação neste momento?
Neste momento trabalho por conta própria. Juntamente com o meu marido formamos uma empresa, Orison Wines, sediada nos Estados Unidos e fazemos vinho em Portugal no Alentejo e em Napa Valley.

Onde vives existem mais portugueses?
Quando vivia em Napa Valley só conhecia dois portugueses que viviam perto de mim, embora a sul de São Francisco em São José houvesse uma comunidade portuguesa muito grande. Infelizmente nunca tive a oportunidade de lá ir. Agora desde que estou em NYC já conheci alguns e sei que há muitos mais por aqui!

Como lidas com a saudade? Do que sentes mais falta?
Embora haja sempre saudade da minha família e dos meus amigos, tenho a sorte de ir a Portugal regularmente em trabalho e aproveito sempre para dar um saltinho a casa à Figueira da Foz no fim de semana antes de voltar. Mas hoje em dia com iPhones/Smartphones é mais fácil manter o contacto diariamente com as pessoas que nos são mais próximas. Sinto falta da comida!! Bolos de bacalhau!!
Quais as ideias pré concebidas que tinhas dos EUA e que mudaram assim que passaste a viver ai?
Sempre generalizei que nos EUA só se comia fast food e a alimentação não era saudável mas quando cá cheguei rapidamente me apercebi que não era assim em todo o lado. Por exemplo onde vivia em Saint Helena, Napa Valley nem sequer havia restaurantes nenhuns desse tipo, o MacDonalds ou Burguer King mais próximo era a 30km de distancia, e nos supermercados a maior parte dos vegetais/legumes e frutas eram orgânicos e de quintas/hortas locais.

É fácil fazer amizade? Foste bem recebida?
Ainda não referi nesta entrevista que o meu marido é americano. Conheci-o na Nova Zelândia na segunda vez que lá estive, mas já tinha arranjado o estagio e planeado a minha mudança para cá antes de começarmos a namorar. De qualquer forma, quando cá cheguei passei duas semanas em Ocean City, Maryland, onde conheci todos os amigos e família dele e fui muitíssimo bem recebida (embora ninguém conseguisse dizer o meu nome!!). Depois quando fui para Napa (desta vez sozinha) foi mais fácil porque toda a gente tinha interesses em comum e como eu sempre tive facilidade em conhecer e falar com pessoas  consegui integrar-me bem.

Qual o ponto turístico favorito na tua cidade/estado?
Embora NYC tenha pontos turísticos, eu acho que o que mais gosto é de andar nas ruas sem destino, sem olhar para mapas e sem ter um sitio especifico onde ir. A vista da minha casa do One World Trade Center também não é má de toda... :)

Como descrever a cultura americana?
O facto de já cá viver há algum tempo e de o meu marido e família serem americanos significa que eu própria já apanhei muitos dos costumes e habitos. É difícil descrever todos os aspectos por isso vou enumerar os factos que mais gosto e menos gosto:

- Pontualidade:  ADORO o facto que toda a gente (ou quase) é super pontual. No inicio foi um bocado difícil e muitas vezes tinha o meu marido a entrar em pânico as 19.30 porque eu ainda me estava arranjar, quando o jantar era só as 20h. Ahah.

- Agradecimento: Adoro receber cartões de agradecimento pelo correio depois de dar um presente a um amigo/familiar ou depois de ter um jantar ca em casa com amigos. Aprecio bastante também receber email ou mensagens no dia seguinte a conhecer alguém ou depois de reuniões a expressar como gostaram de me conhecer e agradecer o tempo disponibilizado.

- Simpatia e disponibilidade em Lojas/ restaurantes/ supermercados: Esta é uma das coisas que os caracteriza muito, também onde em todas as lojas/supermercados/restaurantes os empregados são sempre simpáticos, por muito que não gostem do que estão a fazer!! Sim em grande parte estão a trabalhar para a gorjeta (no caso dos restaurantes) ou para o bonus no final do ano (em lojas), mas o facto é que te ajudam a encontrar o que procuras e fazem-te sentir bem!

- Consumismo: Claro que não são tudo só coisas boas... não gosto do consumismo que existe 'à volta de TODOS os feriados ou datas importantes (começando o ano com o dia dos namorados, St. Patricks day, Páscoa, halloween, Thanksgiving e finalmente Natal).

- Idade legal para beber: Acho ridículo a idade legal para ingestão de bebidas alcoólicas ser 21 anos. Se forem bons alunos, aos 21 anos maior parte das pessoas ja acabou a faculdade e estão prestes a começar especialização. Isto so contribui para que hajam mais BI's falsos e pessoas a comprar álcool ilegalmente.

- Sistema de saúde: O sistema de saúde aqui não e' igual ao de Portugal. E' caríssimo e nem toda a gente tem possibilidade de pagar a mensalidade caso as empresas onde trabalham nao oferecam seguro. Aqui ter seguro e' considerado um luxo!

O que é que os EUA têm e o que falta em Portugal e vice versa.
Em Portugal faz falta a pontualidade!!! E nos EUA faz falta saridinhas de qualidade! ahaha e e castanhas!

Quais os teus planos para o futuro? Pretendes viver nos EUA para sempre?
De momento não tenho planos de voltar a viver em Portugal. A nossa empresa está a crescer, este não tempo o dobro da produção do ano passado com aproximadamente 650 caixas e temos mercado de distribuição nos estados de NY, Maryland, Delaware, District of Columbia e California. Pretendemos continuar a crescer no mercado de Massachusetts, Flórida e Texas no próximo ano. Com certeza que pretendemos comprar uma adega no Alentejo nos próximos 10 anos, mas vamos ver como as coisas se desenvolvem.

Se tivesses que voltar a Portugal do que irias ter mais saudade?
Ia ter bastante saudades da ambição que há em todos os cantos de NYC, da adrenalina de cada dia e claro da NY Pizza!

Qual o conselho ou sugestão que dás para quem tem o mesmo sonho de viver/emigrar para os EUA.
O meu conselho é que nunca deixem de acreditar em vocês mesmos e no que querem/conseguem fazer, nem que toda a gente à vossa volta seja contra e haja apenas uma pessoa a apoiar-vos... sigam o vosso instinto, sigam  ambição, seja persistentes para que no fim se falharem possam dizer que tentaram tudo o que podiam ter feito!

Instagram: @pipaorrison & orrisonwines
Facebook: Filipa Fonseca Orrison
www.orisonwines.com





Alentejo - Vindima 2014



22 de Junho de 2013 
Burgundy - Romanee Conti 
A nossa casa em Napa Valley e a primeira sede oficial de Orison Wines

2013 Orrison Wine "Pipa"
Vista do nosso apartamento em NYC


Friday, December 26

De partida mais uma vez

Sentada no banco do aeroporto, espero pelo voo que me levaos EUA. Desde sempre soube que algum dia iria deixar Portugal, não sabia quando nem quais as circunstâncias, mas tinha a certeza que um dia iria "abandonar" o meu país. Coloco entre parêntesis a a palavra abandonar, porque na realidade não sinto que esteja a deixar algo para trás, como muitos na mesma situação talvez o sintam. Sempre sonhei em viver nos EUA ( não necessariamente em NY), sabia de cor todos os estados, imaginava-me a viver naquele país, muito antes de ter oportunidade de lá viver. Tal como a frase de cabeçalho do blog "Um dia é preciso deixar de sonhar, e de algum modo, partir", sabia que um dia iria tornar  esse sonho em realidade. Não sou patriota, de todo. Nunca o fui! O país em que nascemos, não quer de todo dizer que é onde tenhamos que nos sentir bem. No meu caso nunca o foi. Lá diz a máxima "Home is where your heart is". Gosto do Porto, cidade onde nasci e vivi até aos 23 anos, altura em que fui pela primeira vez para NY, mas não tenho quase vinculo nenhum,  não é em Portugal que quero fazer a minha vida ou que quero envelhecer. Muitos ficam surpreendidos, mas outros, aqueles que também estão na mesma situação, não imaginam voltar a Portugal a não ser de férias. Como me disse um senhor que conheci que emigrou há mais de 40 anos para os EUA "há qualquer coisa neste país, que nos faz querer ficar e nem nos passa pela cabeça um dia voltar". E é mesmo isso, há algo inexplicável neste país, que nos puxa, que nos atrai e que torna todos os outros lugares medíocres. Quem emigra para os EUA, não tem como objectivo juntar dinheiro para um dia voltar para Portugal, como acontece com muitos emigrantes que vão para França, Suiça, Luxemburgo. Quem emigra para os EUA é para sempre, tornam o país em que nasceram apenas num local para passar férias e em muitos casos nem isso. 

Por vezes, ponho-me a pensar se serei emigrante. Talvez porque a imagem que tenho dos emigrantes é aquela em que iam a "monte" para França, com uma mão à frente e outra atrás, o marido ia primeiro para apalpar terreno e mais tarde os filhos e mulher juntavam-se a ele. Chegava a Agosto e  faziam horas a fio de carro, para puderem visitar os familiares em Portugal e dançarem nos bailaricos de verão. Na volta levavam a bagagem cheia de chouriços, bacalhau e vinho, com o intuito de aquecer o coração nos dias em que a saudade mais apertasse. 

Mas quando penso melhor talvez seja mesmo emigrante, há três anos decidi deixar a minha casa, o meu país e parti em busca da realização dos meus sonhos. A minha carta de condução agora é americana e o meu bilhete de identidade está agora guardado numa gaveta, o português deu lugar ao inglês. Em Nova Iorque sou a portuguesa e em Portugal sou a americana. As longas viagens de carro, agora são substituídas por viagens de avião.  Já não nos interessa os bailaricos, mas a ansiedade de ver as pessoas que gostamos é a mesma. Se calhar sou mesmo emigrante porque também eu fui à procura de algo melhor, algo que o meu país nunca ofereceu, mas também nunca fiz intenção de procurar, porque nunca quis aqui ficar. Parti à aventura, sem saber o que me esperava, mas com a certeza que seria melhor do que o que já tinha. E não me enganei. Fiz dos EUA a minha casa e Portugal apenas o pais de visita. Não me arrependo de todo, se pudesse apenas teria ido mais cedo. Dizem-me que tenho coragem e admiram a minha força de vontade, chegam mesmo a dizer que gostavam de ser como eu e conseguir largar tudo em busca de uma vida melhor. Não considero que tenha "largado tudo", pois foi apenas quando sai do meu país que consegui ter tudo o que sempre quis e sentir-me realizada.
Admiro quem fica e decide remar contra a maré, mas não era isso que me estava destinado. Penso que nunca foi.

É claro que a minha decisão tem consequências, que em dias de maior saudade a questiono. Quando partimos, parece que fica um buraco no tempo e quando regressamos esperamos que tudo esteja do mesmo modo. Mas não está. Amigos passam a conhecidos e conhecidos passam a estranhos. Das-te conta que há pessoas que te querem mal, que  te invejam, porque também elas queriam ter a coragem de mudar, mas é sempre mais fácil ficar na zona de conforto e torcer para que os outros não tenham sucesso. Parece-te que essa mudança foi muito rápida, mas na verdade levou meses, anos. Tu é que não estiveste lá para acompanhar. Deixas de ver as crianças a crescer, não podes estar presente no funeral das pessoas que te são queridas, nem nos momentos mais importantes. Todos continuam com as suas vidas e tu esperas tapar esse "buraco" quando regressas, esperas compensar a tua ausência, mas por vezes é tarde de mais. Mas, tu sabes que é o preço a pagar  e que a vida é mesmo assim. E apesar de tudo és uma pessoa feliz. 

Wednesday, November 26

Entrevista #13 Portugueses nos EUA


Em que cidade e estado viveste? 
Eu vivi em Needham, Boston/Massachusetts.

Por quanto tempo viveste nos EUA? 
Vivi nos EUA 2 ANOS, entre 2003 e 2005. Fui uma das primeiras Au Pairs a ter a possibilidade de estender o programa por mais um ano, depois do Governo Americano mudar a lei e permitir uma estadia mais longa para as Au Pairs.

Como surgiu a ideia de viver nos EUA?
Eu sempre adorei viajar e sempre tive um grande interesse entre conhecer outras culturas/sociedades. Fiz o Programa Erasmus na Bélgica no último ano da universidade e quando voltei a Portugal para fazer o ultimo semestre do curso de Educação de Infância, percebi que não era ainda a altura de entrar na rotina de trabalhar numa escola, ainda faltava algo... nessa altura soube do Programa Au Pair in Americana por uma professora da universidade e nem pensei duas vezes, inscrevi-me logo.

Qual a tua ocupação neste momento?
Sou educadora de infância numa escola internacional em Tampere na Finlândia.

Onde vivias existia mais portugueses?
Quando estava nos EUA, no estado onde vivia sei que havia uma grande comunidade de emigrantes portugueses, tanto na cidade de Boston, na área de Cambridge, como um pouco mais a sul na zona de Cape Cod. Eu nunca procurei integrar-me muito nessas comunidades uma vez que na altura eu estava a viver uma experiência diferente e o meu interesse era o de conhecer os americanos e a sua cultura. Para além disso, todas as au pairs de outras nacionalidades que conheci foram um extra fantástico e aproveite para conhecer o máximo de pessoas de todo o mundo. Na altura eu fui da primeiras au pairs portuguesas nos EUA (as pessoas desconfiavam muito e ainda hoje desconfiam da segurança do programa...), e para além de mim, pelo meu programa só havia outra em Providence - Rhode Island, vivíamos cerca de 60 km uma da outra, mas fizemos amizade e falamos até hoje.

Como lidaste com a saudade? Do que sentiste mais falta? 
Nos EUA nunca tive saudades! Os dias eram tão cheios de animação, eu absorvia cada minuto de cada um, num rodopiar alucinante. Mas durante os meus 2 anos tive a visita de familiares e vim a Portugal no final do meu 1º ano, o que certamente ajudou! O que senti mais saudades foi das sardinhas... houve uma altura que tive tantas, mas tantas saudades de sardinhas que o meu host father encomendou na peixaria sardinhas congeladas vindas da China! Só para me satisfazer! (Apesar da maravilhosa relação que sempre tivemos, nunca fui capaz de lhe dizer que sardinhas de verdade, saltam de vivas quase directamente do mar para o prato.. mas enfim.. valeu o esforço!). Mas de qualquer das formas, bem perto de mim (Cambridge e Cape Cod) haviam supermercados portugueses onde cheguei a comprar chouriços, bacalhau seco e cerveja Super Bock ( a minha favorita) uma vez ou duas e a loja de licores tinha bons vinhos portugueses. Também cheguei a ir a restaurantes portugueses uma vez ou duas!

Quais as ideias pré-concebidas que tinhas dos EUA e que mudaram assim que passaste a viver lá?
Eu penso que tenho uma mente muito aberta.. nunca tive ideias pré-concebidas, tina mais era curiosidade.. Mas por alguma razão, deixou-me espantada que todos os autocarros escolares sejam amarelos como nos filmes; que quase todo o país seja muito mais seguro do que aquilo que esses filmes deixam passar; que as pessoas sejam tão faladoras e simpáticas sem serem bisbilhoteiras; e que haja menos obesos do que aquilo que nos é dito na TV...

Foi fácil fazer amizade? Foste bem recebida?
Fui muito bem recebida, tanto pela minha host family, como pela vizinhança. O meu subúrbio é como uma pequena vila e fiz amigos americanos facilmente! A minha host mom diz que ainda hoje um das funcionárias de balcão do meu banco pergunta por mim cada vez que ela lá vai, e as pessoas do local onde fiz voluntariado também, assim com os funcionários da escola de uma das miúdas que cuidei! Depois, como ia integrada no programa, fiz várias amigas au pairs um pouco por todo o mundo. Algumas ainda vivem nos EUA.

Qual o ponto turístico na tua cidade/estado?
Bem... adoro Boston! A zona de Harvard University, em Cambridge é fantástica, um ambiente muito bom! Gostava muito de subir ao Prodential ( o prédio mais alto da cidade, pois a vista é muito boa)... mas em geral a cidade é "antiga" (para os padrões americanos) e bonita para se andar a pé e descobrir!

Como descreves a cultura americana?
Gosto muito do modo aberto de se falar, falam com toda a gente só porque sim, assim que têm oportunidade. (Aqui na Finlândia, as pessoas pagam para não dizer nada! Só falam se tiver mesmo que ser!) Falam sobre o tempo, sobre a relva, sobre o carro que passou, sobre o comboio que está atrasado... Fiz amigos nessas conversas casuais! Aquele tipo de amigos que só vemos uma vez na vida... como quando fui para o Alaska de mochila às costas para integrar um Trek de 15 dias e fui convidada por um casal que conheci no aeroporto de Seattle, bem mais velho que eu ( nos seus 60s), para dormir essa primeira noite em casa deles em vez de dormir no aeroporto (onde ia ficar para poupar dinheiro). No dia seguinte deram-me comida, mostraram-me a cidade e foram verificar se o hotel que tinha reservado era mesmo de confiança! Nunca mais os vi...mas ainda hoje falo com a senhora pelo Facebook! E pensar que tudo começou com uma piada sobre o casaco de penas que eu levava vestido!
Não gostava nada de passar o tempo todo a explicar em que parte do mundo ficava Portugal... os Americanos têm um péssimo conhecimento da geografia , haja paciência!! Com todo o meu sarcasmo, acabei por adoptar a seguinte explicação: "Se começarem a nadar no porto de Boston e forem sempre a direito e se não forem comidos por tubarões ou coisa do género, vão ter ao Porto - segunda maior cidade portuguesa!"
Depois, ao fim de algum tempo percebi que aquele constante cumprimento "Hello how are you today?" não queria dizer que as pessoas quisessem mesmo saber se estavas bem... era uma pergunta vazia de sentido! Irritava-me frequentemente... apetecia-me responder "as if you cared".
Deixava-me boquiaberta que as pessoas fossem tão certinhas durante o dia e se tornassem "baratas" à noite... sempre gostei de sair à noite, mas o constante "roça, roça" das discotecas americanas levou-me tanto à loucura que ao fim de 3 meses de lá estar deixei de as frequentar (se calhar tive azar nos lugares que fui...não sei).

O que é que os EUA têm e que falta em Portugal e vice-versa. 
Ora... quase tudo!!! eheheh
A América tem um péssimo sistema de saúde...tirando isso... e em tudo melhor que Portugal e eu ADORO Portugal...mas enfim :)
O pessoal pode dizer "ah e tal a comida e as paisagens ..." o problema é esse...se procurarem tudo se encontra na América! TUDO!!!! ehehe

Pretendes algum dia voltar a viver nos EUA?
Quando voltei dos EUA pretendi voltar por muito tempo! Pensei durante anos " Mas porque raio não procurei trabalho enquanto estava lá?". Depois... com o tempo, percebi que voltar seria mesmo difícil... comecei a ir de férias quando podia!
Neste momento, voltar aos EUA não faz parte dos meus planos, dou aulas na Finlândia e apesar de não ser nada, mas mesmo NADA como nos EUA, sou feliz aqui!

Do que sentiste mais saudades quando voltaste a Portugal? 
Quando voltei para Portugal tive saudades de tudo, durante anos, foi muito difícil... ainda hoje tenho... mas já não dói! Quando voltei durante os 2 primeiros anos, falava tanto dos EUA que as pessoas irritavam-se e eventualmente acabavam por responder " Se lá é tão melhor assim, não sei porque estás aqui!"
Ahhh... Tenho saudades do Friday's :)

Qual o conselho ou sugestão que dás para quem tem o mesmo sonho de viver/emigrar para os EUA. 
Tentem e não desistam! Vale mesmo a pena. É um país fantástico!!! Os programas de Au Pair, de estudos e estágios são uma enorme plataforma de lançamento, são programas seguros e que dão sempre apoio (uns melhores que outros, como em tudo), depois se gostarem e quiserem mesmo lá ficar, mexam-se enquanto lá estiverem para conseguir alguma coisa. É muito mais fácil estando lá.

Tuesday, November 11

Entrevista: Portugueses nos EUA



Desta vez trago-vos uma entrevista a uma cara já vossa conhecida. A actriz Leonor Seixas aceitou participar nesta rubrica e é com imenso prazer que partilho a entrevista.

Em que cidade e estado dos EUA vives? 
Los Angeles, Califórnia.

Há quanto tempo vives nos EUA?
Vivi primeiro em NY, fui para la com 17 anos. Depois andei pelo mundo e voltei full time em 2010, desta vez para Los Angeles.

Como surgiu a ideia de viver nos EUA?
Quando era pequenita a minha mãe levou-me a NY e eu disse "é aqui que quero viver!".

Qual a tua ocupação neste momento?
Sou actriz.

Onde vives existem mais portugueses?
Existem sim. Poucos mas bons.

Como lidas com a saudade? Do que sentes mais falta? 
Saudade? O que é isso? Ás vezes sinto falta do ar europeu...e de croquetes e bacalhau. Mas há outras coisas...

Quais as ideias pré concebidas que tinhas dos EUA e que mudaram assim que passaste a viver ai?
Não tive grandes surpresas porque antes de viver nos EUA já tinha aqui vindo várias vezes... Claro que é diferente viver em vez de passar férias. Mas não houve nada de especial...

É fácil fazer amizade? Foste bem recebida?
Adapto-me bem. Nos EUA estou em casa. Amigos? Em qualquer parte do mundo a construção da amizade é igual, é preciso sentir química e alimentar calmamente uma relação. O tempo vai dando muitas coisas.

Qual o ponto turístico favorito na tua cidade?
O observatório. Griffith Observatory. Um lugar lindo, mítico, onde tantos filmes foram feitos. Tem um planetário, adoro astronomia. A mais bela vista da cidade. E também Hollywood sign. Levo sempre lá os meus amigos quando me vão visitar, e sempre por volta do pôr do sol, assim dá para ter a perspectiva da cidade durante o dia e a noite. A dimensão das luzes é enorme e o enorme tamanho da cidade são incríveis.

Como descreves a cultura americana?
Difícil de responder...Isso é muito vasto... Posso falar que acho que os americanos são muitos mais apegados à cultura do que nós. Por exemplo amam cinema. Vivem isso. Para mim é fascinante.

O que é que os EUA tem e que falta em Portugal e vice-versa?
Não acho que falte nada. E acho que falta tudo...Cada um tem as suas coisas únicas e próprias.

Quais os teus planos para o futuro? Pretendes viver nos EUA para sempre?
Não faço planos para o futuro.

Se tivesses que voltar para Portugal do que irias sentir mais saudades?
De tudo. E depois voltava ahahahahaha

Qual o conselho ou sugestão que dás para quem tem o mesmo sonho de viver/emigrar para os EUA?
Ir!!!!!!

Instagram : @leonorseixas





Monday, November 10

A sério que me irrita

Emigrantes que se queixam e criticam o país que os recebeu e lhes deu oportunidades, que não foram capazes de encontrar em Portugal. A sério, isto de criticar o prato que lhes dá de comer, revolta-me. O dia em que não gostar de viver nos EUA, simplesmente faço as malas e vou-me embora, não vou criticar e continuar na mesma situação. Não somos árvores!

Friday, November 7

Entrevista #12 Portugueses nos EUA


Entrevista a Sara, ex-Au Pair.

Em que cidade e estado viveste nos EUA?
Eu vivi em Rye, Nova Iorque

Quanto tempo viveste nos EUA?
Vivi lá durante 1 ano e 1 semana.

Como surgiu a ideia de viver nos EUA?
Olha, foi uma ideia muito engraçada. Primeiro, porque sempre dizia aos meus pais que quando acabasse a universidade ia morar para Nova Iorque; segundo, porque Nova Iorque foi sempre a cidade que quis conhecer e com a qual me identificava e terceiro, porque a minha madrinha trabalha no Ministério da Educação e houve um dia que chego a casa e disse: "Sara!!! Estive com uma rapariga que é responsável por este programa (Au Pair) em Portugal e acho que é ideal para ti. É para ires para os Estados Unidos e ainda por cima trabalhares com crianças". Eu não pensei duas vezes. Na altura andava a acabar a licenciatura e pensei que era a altura ideal para dar o salto para o desconhecido, sair da minha zona de conforto, tornar-me mais autónoma e crescer um bocadinho mais. Arrisquei. Comecei a fazer as entrevistas, a estudar inglês, e voi lá... consegui a minha sorte grande e ainda para mais para ir para NY. Amei. Nem queria acreditar quando "fechei" tudo com a família e quando me enviaram o bilhete de avião. No momento em que o avião começou a levantar voo, comecei a chorar como se não houvesse amanhã e só pensava no disparate que tinha feito... ia sozinha, não conhecia ninguém, não falava bem a língua, mas hoje grito para todo o mundo ouvir que FOI A MELHOR EXPERIÊNCIA DA MINHA VIDA!

Qual é a tua ocupação neste momento?
Neste momento sou Educadora de Infância.

Onde viveste existiam mais portugueses? 
Onde vivia não. Existiam brasileiras. Portugueses só mesmo nos estados vizinhos (pelo menos que eu tivesse conhecimento).

Como lidaste com a saudade? Do que sentiste mais falta?
A saudade foi terrível. Não há grande forma de lidares com isso, sentes imensa falta de tudo e de todos. Mas tentamos apaziguar esse sentimento da melhor maneira. Para além do famoso Skype e das cartas que iam trocando com as pessoas que me são importantes, tive a sorte de a minha mãe me tentar enviar ao máximo pequenas lembranças que me fizessem sentir um pouquinho mais perto de casa. Uma amiga minha também me foi visitar e, por vezes, aos fins-de-semana ia para a casa de uns familiares em Boston.
Lembro-me que para além da família e dos amigos, senti imensa falta da praia, dos pasteis de nata e travesseiros de Sintra, da comida da minha mãe, de cerelac (terrível eu sei!), de rafaelos (são aqueles chocolates maravilhosoooos) e de tomar café nos sítios de sempre.

Quais as ideias pré-concebidas que tinhas dos EUA e que mudaram assim que passaste a viver lá?
Para começar achei que ia ganhar montes de dinheiro (wake up... isso não é real. Ganhei algum, mas nada de extraordinário); pensei que houvesse mais pessoal gordinho do que realmente há (principalmente no sitio onde morava...era tu magricela); achei que as coisas eram muitooo mais baratas e nem são assim tanto e, acima de tudo achava que era um sitio perigoso e afinal de contas é tudo menos isso. Aliás, posso-me dar ao luxo de dizer que Nova Iorque, para mim, é mais seguro que Lisboa... principalmente durante a noite.

Foi fácil fazer amizade? Foste bem recebida?
Sim, sem dúvida. Não podia ter sido mais bem recebida do que o que fui. As pessoas são super acolhedoras e prestáveis, ajudam sempre mesmo que não o peças. São simpáticas e são tudo por tudo para que te sintas em casa.

Qual o ponto turístico favorito na tua cidade/estado?
Gosto de muitos. É difícil eleger apenas um...mas adoro o Central Park pela tranquilidade, harmonia e beleza que transmite e o Bryant Park pela simplicidade, pelo glamour que reflecte e pelo facto do meu pedido de casamento ter sido feito ai. Ahhh... sem esquecer a famosa "toy store" na 5ª Avenida e a Tiffanys, claro!

Como descreves a cultura americana?
Olha para ser muito sincera eu própria já me considero americana (cof, cof). Gosto de tudo, desde as comidas, às roupas :) No entanto, acho que são um povo muito exagerado, apressado e irritado. Andam sempre a correr de um lado para o outro, não têm tempo para nada e quando as coisas não correm como idealizam a frustração é constante. Por outro lado acho que têm uma mentalidade aberta, mas que estão muito formatados e não saem do quadrado que lhes está "geneticamente" delineado. (E  aqui sei que posso soar contraditória). São, tal como já havia mencionado, prestáveis e preocupam-se com o bem-estar dos outros, principalmente com quem vem de outra parte do mundo.

O que é que os EUA tem e que falta em Portugal e vice versa?
Em Portugal falta mais dinheiro; uma Abercrombie, uma Tiffanys e uma semana como a do Natal e Thanksgiving. Nos EUA, falta a gastronomia, a simplicidade/tranquilidade e a cultura portuguesa. Portugal é um país cheio de historia e com muita cultura, o mesmo não se pode dizer dos EUA.

Quais os teu planos depois de teres terminado o intercâmbio? Pretendes algum dia voltar a viver nos EUA? 
Regressei às origens. Onde sou feliz! Se penso em voltar aos EUA? Sim, claro. Mas viver lá para sempre esta, pelo menos por agora, fora de questão.

Do que tens mais saudades?
Tenho saudades dos amigos com quem vou falando, mas nunca mais vi; dos momentos partilhados; dos cheiros e dos sabores característicos; das estações do ano bem definidas; das decorações de Natal e da alegria da comemoração do Thanksgiving; das idas à biblioteca; dos cafezinhos tomados no Starbucks; dos sorrisos e gargalhadas que marcaram momentos importantes; dos abraços apertados e das lágrimas derramadas; de brincar na neve; das viagens ... de muita coisa. Mas lá está, há momentos para tudo e tudo tem o seu tempo. Se voltasse já não seria a mesma coisa...

Qual o conselho ou sugestão que dás para quem tem o mesmo sonho de viver/emigrar para os EUA. 
Nunca desistam dos vossos sonhos. Vale a pena arriscar, não deixem, nunca, que o medo vos impeça de tentar. E podem ir sem medos...vai ser a melhor experiência das vossas vidas.