Sentada no banco do aeroporto, espero pelo voo que me levaos EUA. Desde sempre soube que algum dia iria deixar Portugal, não sabia quando nem quais as circunstâncias, mas tinha a certeza que um dia iria "abandonar" o meu país. Coloco entre parêntesis a a palavra abandonar, porque na realidade não sinto que esteja a deixar algo para trás, como muitos na mesma situação talvez o sintam. Sempre sonhei em viver nos EUA ( não necessariamente em NY), sabia de cor todos os estados, imaginava-me a viver naquele país, muito antes de ter oportunidade de lá viver. Tal como a frase de cabeçalho do blog "Um dia é preciso deixar de sonhar, e de algum modo, partir", sabia que um dia iria tornar esse sonho em realidade. Não sou patriota, de todo. Nunca o fui! O país em que nascemos, não quer de todo dizer que é onde tenhamos que nos sentir bem. No meu caso nunca o foi. Lá diz a máxima "Home is where your heart is". Gosto do Porto, cidade onde nasci e vivi até aos 23 anos, altura em que fui pela primeira vez para NY, mas não tenho quase vinculo nenhum, não é em Portugal que quero fazer a minha vida ou que quero envelhecer. Muitos ficam surpreendidos, mas outros, aqueles que também estão na mesma situação, não imaginam voltar a Portugal a não ser de férias. Como me disse um senhor que conheci que emigrou há mais de 40 anos para os EUA "há qualquer coisa neste país, que nos faz querer ficar e nem nos passa pela cabeça um dia voltar". E é mesmo isso, há algo inexplicável neste país, que nos puxa, que nos atrai e que torna todos os outros lugares medíocres. Quem emigra para os EUA, não tem como objectivo juntar dinheiro para um dia voltar para Portugal, como acontece com muitos emigrantes que vão para França, Suiça, Luxemburgo. Quem emigra para os EUA é para sempre, tornam o país em que nasceram apenas num local para passar férias e em muitos casos nem isso.
Por vezes, ponho-me a pensar se serei emigrante. Talvez porque a imagem que tenho dos emigrantes é aquela em que iam a "monte" para França, com uma mão à frente e outra atrás, o marido ia primeiro para apalpar terreno e mais tarde os filhos e mulher juntavam-se a ele. Chegava a Agosto e faziam horas a fio de carro, para puderem visitar os familiares em Portugal e dançarem nos bailaricos de verão. Na volta levavam a bagagem cheia de chouriços, bacalhau e vinho, com o intuito de aquecer o coração nos dias em que a saudade mais apertasse.
Mas quando penso melhor talvez seja mesmo emigrante, há três anos decidi deixar a minha casa, o meu país e parti em busca da realização dos meus sonhos. A minha carta de condução agora é americana e o meu bilhete de identidade está agora guardado numa gaveta, o português deu lugar ao inglês. Em Nova Iorque sou a portuguesa e em Portugal sou a americana. As longas viagens de carro, agora são substituídas por viagens de avião. Já não nos interessa os bailaricos, mas a ansiedade de ver as pessoas que gostamos é a mesma. Se calhar sou mesmo emigrante porque também eu fui à procura de algo melhor, algo que o meu país nunca ofereceu, mas também nunca fiz intenção de procurar, porque nunca quis aqui ficar. Parti à aventura, sem saber o que me esperava, mas com a certeza que seria melhor do que o que já tinha. E não me enganei. Fiz dos EUA a minha casa e Portugal apenas o pais de visita. Não me arrependo de todo, se pudesse apenas teria ido mais cedo. Dizem-me que tenho coragem e admiram a minha força de vontade, chegam mesmo a dizer que gostavam de ser como eu e conseguir largar tudo em busca de uma vida melhor. Não considero que tenha "largado tudo", pois foi apenas quando sai do meu país que consegui ter tudo o que sempre quis e sentir-me realizada.
Admiro quem fica e decide remar contra a maré, mas não era isso que me estava destinado. Penso que nunca foi.
Admiro quem fica e decide remar contra a maré, mas não era isso que me estava destinado. Penso que nunca foi.
É claro que a minha decisão tem consequências, que em dias de maior saudade a questiono. Quando partimos, parece que fica um buraco no tempo e quando regressamos esperamos que tudo esteja do mesmo modo. Mas não está. Amigos passam a conhecidos e conhecidos passam a estranhos. Das-te conta que há pessoas que te querem mal, que te invejam, porque também elas queriam ter a coragem de mudar, mas é sempre mais fácil ficar na zona de conforto e torcer para que os outros não tenham sucesso. Parece-te que essa mudança foi muito rápida, mas na verdade levou meses, anos. Tu é que não estiveste lá para acompanhar. Deixas de ver as crianças a crescer, não podes estar presente no funeral das pessoas que te são queridas, nem nos momentos mais importantes. Todos continuam com as suas vidas e tu esperas tapar esse "buraco" quando regressas, esperas compensar a tua ausência, mas por vezes é tarde de mais. Mas, tu sabes que é o preço a pagar e que a vida é mesmo assim. E apesar de tudo és uma pessoa feliz.















































